quarta-feira, 10 de abril de 2013

Yoga e Karate

Decorreu no inicio do corrente ano, organizado por uma turma de alunos de um curso profissional da Escola de Santo André, um seminário no qual foi incluído um ciclo de conferências sobre artes orientais entre as quais o Yoga e o Karate. O Karate é vulgarmente entendido, como um conjunto de movimentos de ataque e defesa, quer seja sob a forma Ki-hon, Kumite ou Katas, prática essa que acaba por ser salutar para o praticante. O Yoga é vulgarmente entendido como uma sequência de posturas corporais (asana), prática essa que acaba também por ser saudável para o praticante. O presente artigo surge como tentativa de resposta a uma questão. Se entre o Karate e o Yoga existe uma relação do tipo o “cu com as calças” ou seja estavam próximos mas não têm nada a ver um com o outro, ou se pelo contrário existe entre eles um parentesco afastado, uma prática ancestral comum ? Isto implica recuar no tempo e a maior das dificuldades em encontrar resposta para esta pergunta reside no facto de tanto o Karate como o Yoga serem artes apenas transmissíveis de mestre para discípulos. E procurando fazer uma viagem pela história dificilmente se encontrarão certezas absolutas, verdades absolutas. Isto sem falar das diversas descrições de quem decididamente está por fora do contexto. Vem aqui, a propósito, uma intervenção de um dos presentes no já referido seminário, um jovem aluno da escola que após assistir à demonstração de karate a descreveu como “uns sujeitos com vestes estranhas, fazendo uns movimentos estranhos, pronunciando palavras estranhas e que ás vezes davam gritos”. Retornarei mas à frente a este assunto. Recuando um pouco no tempo, uns 2500 anos a. C., os navegadores fenícios chegaram à costa ocidental africana e afirmaram ter visto animais estranhos e gente estranha coberta de pêlos (o que terão visto, foram certamente macacos). Por cá, os fenícios possivelmente fundaram Lisboa e por aqui estabeleceram portos comerciais, pois nas terras entre Tejo e Sado já se produzia vinho de muito boa qualidade. Sensivelmente por essa época, uns 7000 km para Leste, algures no estuário do rio Indú, vivia, em grandes cidades, (Mohenjo-Daro , 40000 habitantes) o povo drávida. Uma civilização incrivelmente avançada para a época. As casas eram feitas em tijolo cozido, água canalizada, rede de esgotos subterrânea, construíram barragens nos rios e a cidade tinha um porto artificial para embarcações com 50 toneladas. Usavam a serra circular e a broca helicoidal em bronze, conheciam a escrita e nas escavações arqueológicas foram encontradas estatuetas de bailarinas e “inúmeras estatuetas que evocam posturas de yoga” A civilização drávida há muito que foi destruída, mas até aos nossos dias envolto em misticismo chegou a figura de Shiva – o criador mitológico do yoga. Existem diversas representações de Shiva: como bailarino executado a dança cósmica; como guerreiro segurando um tridente, em meditação e várias outras Avançando no tempo, 1500 d.C. Vasco da Gama chega a Mallabar na costa Sul da Indía e aí faz referência a homens “estranhos” fazendo “estranhos” movimentos com o seu corpo e manipulando armas “estranhas” a quem denomina por malabaristas. Pela descrição, Vasco da Gama teria assistido nada mais nada menos do que a uma demonstração de Vajramushti ou Kalarippayatt (antiga arte marcial indú). Vajra significa "bastão" e mushti significa "soco, pancada". Kalari significa "escola" e payatu significa "arte marcial" Curiosamente a palavra malabarista pegou e é hoje usada para designar a actividade circense de manipular diversos objectos ao mesmo tempo, tais como bolas, facas, tochas, etc. Novas descrições da arte Vajramushti – Kalarippayatt voltam a surgir cerca de 20 anos mais tarde, pelo português Duarte Barbosa. Duarte Barbosa era um especialista na linguagem dos nativos e o tradutor oficial da “missão” portuguesa. Mais conhecedor dos costumes hindus, descreve o Kalarippayatt como parte integrante da cultura de Kerala, cidade do sul da Índia, onde era hábito enviar as crianças acima dos 7 anos para um kalari (escola, dojo) afim de praticar a antiga arte marcial. Estamos agora em plena época das telecomunicações. Vídeos oficiais do Kerala Tourism levam-nos a assistir a demonstrações do Kalarippayatt. Socos, pontapés, chaves, projecções, bastões, paus, sabres, armas estranhas e um estranho misticismo no qual a dança tradicional, executada por bailarinas, constitui também uma das representações da arte marcial. Portugal manteve com a Índia uma longa rota comercial, cerca de 500 anos e até chegou a ser formulada a teoria (pouco sustentada) de que, além do gengibre e da pimenta, os navegadores portugueses teriam também trazido o jogo do pau. Na verdade não existe [um jogo do pau português, único], existem sim, vários estilos algo diferentes. O jogo do pau a duas mãos, mais usado no Norte, o jogo a uma mão, mais usado em Lisboa e Margem Sul, um jogo do pau baseado em cortes (esquivas) característico de Vale de Era (pequena localidade no concelho de Palmela) e o jogo do pau dos Açores. Quer o manuseamento da vara seja feita a uma ou duas mãos as técnicas mais usuais têm semelhanças e nomes iguais. Por exemplo, “redonda por dentro”, “arrepiada”, “enviesada…” Contudo o leque de técnicas é bastante vasto e várias escolas conservaram sequências pré determinadas de ataques e defesas com o pau (os sarilhos), desenvolvidas por antigos mestres e que chegaram aos dias de hoje, algo equivalente às Katas do Karate. Os sarilhos (existirão uns 20 ou 30) têm nomes como “borda d´água de baixo” o que sugere o jogo do pau como um produto genuinamente português. Não é obrigatório que todas as artes de combate tenham tido origem nas antigas civilizações da Índia. Viajando de novo no tempo até ao ano 520 d.D., conta a lenda que um monge budista indiano chamado Ta Mo (Bodhidharma), partiu da Índia para a China, pernoitando nos templos que encontrava pelo caminho, até que chegou ao Templo Shaolin. Aí, depressa se apercebeu que os monges não estavam suficientemente bem preparados fisicamente para puderem suportar longos períodos de meditação. Bodhidharma pertencia à casta guerreira (Kshátriya) e provavelmente o que terá ensinado aos monges foi uma mistura de Yoga e de técnicas de combate do Vajramusthi indiano. A prática desses exercícios tornou-se uma tradição no templo, tendo a arte sofrido posteriormente diversas evoluções, vindo-se a transformar no Shaolin Kung Fu. Estamos agora em Okinawa no ano 1848 d.C. Sokon Matsumura, um perito em Shorinji Kempo ( Shorinji é a tradução em japonês para Shaolin e Kempo é a tradução em japonês para Kung Fu) é nomeado instrutor-chefe das artes marciais na ilha. Um dos discípulos de Matsumura foi Anku Azato e este por sua vez foi mestre de Gichim Funakoshi, o fundador do Karate moderno. Numa breve análise comparativa poder-se-á dizer que existem técnicas similares no Karate e no Kung Fu. Por exemplo, Tan Sau do Kung Fu corresponde grosso modo ao uchi ude uke do Karate ; gan sau ao gedam barai ; bong sau ao ague uke, bem como diversas outras. Para além disso o Karate conserva princípios básicos do Kung Fu tais como a rotação pelos calcanhares, rotação das ancas, entre outros. Mais ainda, existem três Katas, a Jion, a Jiin e a Jitte que começam e acabam com a saudação característica dos templos Shaolin , a mão direita fechada simbolizando o Sol e sobre ela a mão esquerda em concha simbolizando a Lua. Só no Karate Shotokan, por exemplo, existem 26 katas. Ora, se o Karate tivesse apenas origem no Shaolin Kung Fu, todas as katas começariam e acabariam da mesma maneira, tal como a Jion. O que não é verdade Parece ser ponto assente que numa época anterior a Funakoshi a prática do Karate se baseava nos Katas. Cada mestre desenvolvia um ou dois Katas em toda a sua vida. Funakoshi terá desenvolvido a Bassai Sho e a Kanku Sho e seu filho Yoshitaka Funakoshi terá desenvolvido a Wankan. Como morreu precocemente a kata ficou inacabada e por isso é bastante mais pequena que as outras. Nesta repetição incessante dos katas estaria implicita a procura de algo próximo da perfeição. Saliente-se que o principal propósito dos monges de Shaolin, não era exactamente a prática do Kung Fu, nem o principal objectivo dos praticantes de yoga a execução de asanas com elevada dificuldade, mas sim alcançar o samādhi (estado de consciência suprema) através da meditação. Bem mais pragmático Gighin Funakoshi preconiza simplesmente “o aperfeiçoamento do carácter dos praticantes” como a finalidade do Karate Para além da componente técnica tripartida em Ki-hon, Kumite e Kata e da filosofia sintetizada no Dojo Kun e no Niju Kun, o Karate tradicional incorpora exercícios físicos específicos de força e flexibilidade, alguns dos quais poderão ter sido trazidos do yoga, técnicas de respiração e de relaxamento e o Mokuso (meditação). Voltando a recuar no tempo, 1974, quando o Karate e também o Yoga davam os primeiros passos em Portugal, recordo o meu primeiro professor de Karate, Sensei Fernando Couto quando descrevia o Kara

domingo, 3 de junho de 2012

Feira Medieval


A feira medieval de Alhos Vedros tem sido um sucesso.  O evento com algumas semelhanças em relação a outras feiras medievais que vão ocorrendo pelo país fora, tem no entanto a particularidade de se desenrolar em volta do monumento mais antigo da vila, a igreja. Mais exactamente das estelas tumulares que por lá têm sido encontradas.
A afluência de público à feira, a necessidade de encontrar mais espaço, um outro cenário, uma outra moldura para um acontecimento já tão culturalmente significativo justificaria a construção de um castelo na vila. O castelo serviria também para defesa da população contra os ataques dos piratas. O caso não é para brincadeiras, Alhos Vedros em tempos perdeu a câmara municipal e agora corre o risco de perder também a freguesia. Nada de arcos e flechas, tiros de caçadeira ou bombas de napalm. O arremesso de sacos de água (do cais de Alhos Vedros) seria suficiente para repelir qualquer assaltante.  


sábado, 28 de abril de 2012

Meu Pai

Embora a minha família seja originária do Algarve, estivemos a morar durante vários anos, algures na encosta da serra da Estrela. Desse local recordo a beleza do céu nocturno, particularmente mas noites de Verão.
Certa vez, debaixo da latada, o meu pai brincando comigo deitou-se no chão. Eu falava e ele não respondia. Eu abanava-o e ele não se mexia. Por diversas vezes. Então vou direito ao telefone, levanto o auscultador e digo “ Alô. È do cemitério? Venham buscar meu pai. Ele esta mo..to. “  Não marquei número nenhum, na realidade não estava a falar com ninguém. Tinha apenas cerca de 2 anos de idade.  Meu pai riu-se e tudo voltou ao normal.
Tempos difíceis aqueles. Meu pai fazia a sua jornada de trabalho de 8 horas e depois ainda vinha trabalhar para a horta. E foi à custa do muito trabalho de meu pai e de minha mãe que sempre tivemos comida em casa e nunca passamos fome.
O meu pai foi um homem de palavra, trabalhador, inteligente.
Na vépera do dia em que faria 86 anos, os homens da funerária foram buscá-lo à morgue do hospital para o levarem para o cemitério.  Infelizmente desta vez, não havia brincadeira. Meu pai faleceu.
Ao encomendar o seu corpo antes da partida, o padre dirá algo como “ nós somos pó e ao pó iremos retornar….” Da mesma poeira cósmica de que são feitas as estrelas do céu, vistas, daqui, do Algarve ou da serra da Estrela.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

38 anos depois

Onde é que você estava no 25 de Abril ?   É uma pergunta que se tornou bastante conhecida. Por mim, posso responder. Estava no quartel. Era soldado recruta. Lembro-me de nessa noite, de Domingo para Segunda, alguns camaradas (camaradas e não colegas, o sargento dizia que colegas eram as putas) vindos de Lisboa trazerem a notícia de que decorriam operações militares nas ruas. Depois mais tarde a rádio anuncia “aqui movimento das forças armadas…..”  e assim no quartel soubemos da queda do regime fascista. 
Lembro-me de em tom de brincadeira ter comentado “ e eu que até já tinha uma “cunha” do Marcelo Caetano, agora não serve para nada”. Fazia a brincadeira todo o sentido num contexto onde “uma boa cunha” evitava ser-se enviado para zonas críticas da guerra no ultramar.
O que foi o 25 de Abril afinal ?  38 anos depois continuo a descrevê-lo como sempre o descrevi. Uma revolta dos capitães milicianos, amplamente apoiada pela população em geral. Quanto aos cravos, consta ter sido uma florista, na rua, que colocou um cravo no cano da espingarda de um militar e depois a moda pegou. Algumas semanas mais tarde, lá andava o sargento, no quartel, a apregoar que os cravos não faziam parte das espingardas.
O regime estava podre e a nação cansada de uma ditadura bolorenta e de uma guerra colonial sem fim à vista. Quanto à revolta dos capitães milicianos está é compreensível.
Depois de terminado o curso de oficiais milicianos, em 4 meses, tal como eu o fiz, eram escolhidos, alguns dos melhores do curso para serem promovidos a capitães milicianos. Após um tirocínio eram enviados para o ultramar, geralmente para zonas críticas da guerra e à frente de uma companhia, cerca de 120 homens, insuficientemente equipados e preparados. Uma responsabilidade tremenda. Depois ainda havia uma acentuada descriminação relativamente aos oficiais de carreira.
A máquina de propaganda do regime não se cansava de apregoar “Angola é nossa”.  Na realidade, as principais riquezas de Angola, os diamantes e o petróleo estavam a ser exploradas por companhias inglesas e americanas. O nacionalismo do estado novo era basicamente propaganda.
Ainda hoje quando saio à rua encontro homens que ficaram inutilizados pela guerra colonial.
O 25 de Abril, acima de tudo, livrou-nos da guerra.  
Quanto à mudanças politicas, o programa do movimento das forças armadas previa eleições gerais e livres, coisa que nunca existiu no estado novo. Mas não foi o 25 de Abril que transformou o estado novo (2ª república) naquilo que é hoje a 3ª república.  Essa mudança ficou a dever-se a um outro golpe militar, pouco mediatizado, mas de importância decisiva no referido processo de transformação. O 25 de Novembro.
Com este golpe (neo)liberal, abriram-se as portas para a promiscuidade entre os grandes grupos económicos e o poder politico. Progressivamente foi-se instaurando um sistema de oligopólio, caracterizado por privilegiar interesses pessoais (jobs for the boys) em detrimento dos interesses do país. A actual crise é apenas o corolário de sucessivos anos de gestão danosa.
Assim temos uma dívida pública de cerca de 200 mil milhões de euros, em crescimento exponencial. Uma dívida que pelo seu valor astronómico… jamais será paga. Famílias inteiras sem emprego, ruas inteiras de desempregados. Gente que fica sem a sua habitação, por não ter já mais dinheiro para pagar impostos. As desigualdades sociais agravam-se, a classe média definha, uns, as tais famílias que detêm o poder político-económico, vão ficando cada vez mais ricos, outros a população em geral vai ficando cada vez mais pobre.
Retirando aspectos como a guerra colonial, sou levado a admitir que o regime do estado novo seria mais social-democrata que o actual (des)governo dominado pelo “agiotismo” nacional e internacional. E contrariado certos fazedores de opinião,  Passos Coelho não é, nem poderá ser, o salvador da pátria, o Salazar do séc XXI.  Salazar foi no seu tempo um académico brilhante, era professor catedrático. Passos Coelho levou cerca de 20 anos para concluir um curso de 5. Salazar tinha por orientação político-económica “ para os países em dificuldade e mesmo para os que não estão, o caminho é produzir e poupar”. Claro que não é necessário ser-se professor catedrático para chegar a tão brilhante conclusão. Contudo, Passos Coelho, a pretexto do compromissos com a troika, não produz, nem poupa, não deixa produzir, nem deixa poupar. Afunda o país.
38 anos depois, o povo desunido está a ser vencido por uma oligarquia, unida e organizada.
Possa um dia a Moita e toda a margem Sul, que em tempos foram os primeiros a proclamar a 1ª república, proclamar agora a 4ª república ou a 5ª dinastia. Qualquer coisa que não este estúpido regime troikista e pus-ultra-neo-liberal.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Capitão Salgueiro da Maia




No dia 4 de abril de 1992, morreu Salgueiro Maia. O "capitão de Abril", que negociou a rendição de Marcelo Caetano, é recordado como um homem que, apesar de comum, teve um papel preponderante na história de Portugal.


In jpn (jornalismo porto net)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

SILAT



Silat é um termo genérico usado para generalizar as formas de artes marciais do arquipélago malaio e da península malaia no sudeste asiático. Originalmente desenvolvido onde são hoje a Indonésia, a Malásia Peninsular, o sul da Tailândia e Singapura, também era tradiciona...lmente praticado em Brunei, Filipinas, Camboja, Mianmar e Vietnã. É diferente do que é geralmente conhecido como escolas de artes marciais, porque o programa de ensino-aprendizagem envolve a eficácia em combate.
Máximo de participantes - 14
Horário das 14h00 às 18h00
Temáticas a debater - Combate mãos nuas, Combate contra atacante c/ faca, Combate contra atacante c/ pau, Combate armado com pau contra faca e contra pau.

Instrutor Pedro Miguel
Custo - 15 euros
Inscrições GINÁSIO GIMNOVEDROS

domingo, 1 de abril de 2012

Vende-se





Na verdade, devido às condicionantes marés e ventos, estima-se que o uso médio anual de uma embarcação tradicional, agora utilizadas para lazer e recreio, seja de 20 horas.



Para a manter em funcionamento, necessita de uma manutenção anual cuidada, geralmente no mês de Abril, relativamente dispendiosa e trabalhosa, mais ou menos, umas 50 horas.



Um pouco em tom de desabafo, é vulgar dizer-se "quando acabar a pintura ponho o catraio à venda"



A pintura do "Mariana" está práticamente acabada e já têm uma tabuleta "vende-se" , mas não é para levar a sério. Hoje é dia 1 de Abril.