domingo, 11 de março de 2012

Defesa do Tejo

As Linhas de Torres Vedras, um sistema defensivo, idealizado por Arthur Wellesley, primeiro Duque de Wellington foram construídas de Novembro de 1809 até Outubro de 1812 e tinham por objectivo impedir a 3ª invasão francesa de avançar até Lisboa.
Esta obra prima da engenharia militar não é uma muralha da China em menor escala, mas um sistema de obstáculos, batidos pelo fogo, nos caminhos por onde as tropas invasoras poderiam passar, completado por um conjunto de 152 fortificações em 4 linhas defensivas.
Devido à prática da terra queimada, numa vasta zona, entre o Mondego e o Tejo, o exército francês, estava com dificuldade em se alimentar e perante o obstáculo das Linhas de Torres, não teve outra alternativa senão bater em retirada.
A 1ª linha defensiva, a avançada, estava guarnecida por 18.683 homens e 319 bocas de fogo e 14 lanchas canhoeiras da Royal Navy, que patrulhavam o rio Tejo. Estendia-se desde Alhandra à Foz do Rio Sizandro. Particularmente sensível era a estrada real (hoje N 10) que entre Alhandra e Póvoa de Santa Iria é paralela ao rio Tejo.
“A defesa de Alhandra e do Tejo era uma preocupação constante do duque de Wellington, não hesitando em colocar canhões no alto da igreja matriz, que domina a vila. Teve ainda outra ideia: colocar peças de artilharia na ilha em frente, o mouchão de Alhandra, para impedir o avanço das tropas invasoras pela margem do Tejo. Mas cedo concluiu que era mais eficaz uma defesa por baterias flutuantes: naqueles dias chuvosos de Outubro de 1810, defronte de Alhandra, uma flotilha de corvetas da Royal Navy e lanchas canhoneiras patrulhavam atentamente as águas em torno do mouchão, vigiando a estrada real restaurada por D. Maria I.
E foi durante um reconhecimento junto ao rio, perto de Vila Franca, que o general de cavalaria Sainte-Croix, foi morto pelo tiro certeiro de uma lancha canhoneira, uma perda muito sentida pelo marechal Massena, que lhe conhecia o grande valor. Tinha 28 anos.” in Rota histórica das linhas de torres ) http://www.rhlt.com.pt
Esta pintura, retrata a actividade da Royal Navy frente ao mouchão de Alhandra. Pode observar-se uma lancha canhoeira, propulsionada a remos e uma corveta à vela, com dois mastros.
Uma pintura é de suposto interesse para os arquivos históricos dos ingleses. Na 3ª invasão o exército franco-português era composto por cerca de 65000 homens e terá tido cerca de 5000 baixas. O exército anglo-luso seria composto por cerca de 60 000 homens e terá sofrido 2500 baixas. Números de baixas relativamente reduzidas numa campanha em tão grande escala. Todavia, devido à terra queimada estima-se que tenham morrido de fome e de doenças cerca de 40 000 civis portugueses.

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